domingo, 11 de maio de 2014

Kernel

o que havia antes,
fora o ruído sólido e a companhia inerte
e eu que não sabia se eu era;
havia toda angústia e espera

o que eu tive enquanto,
durante a alvorada,
os braços que esquentaram,
os traços que me acalmam,
eu tive todo o tempo do mundo.

o que virá depois
não é a madrugada,
não é mero silêncio
não é a solidão. nem isso é...

domingo, 27 de abril de 2014

Dobramentos modernos

O espaço deformado estepe a frente
relembra em quanta força nós pisamos
e em quanta solidão nos escondemos
em pedra, neve, água e céu somente

o chão que lentamente perscrutamos
irmãos que nos fizemos, rio abaixo,
o quanto nós erramos, nos perdemos,
e o quanto eu erraria novamente...

a jade derretida das geleiras,
espelha nossos olhos invernais
mirando ainda o mesmo céu de antes

no lago, nossa imagem derradeira
sublima e some à luz que se esvai
e o sol procura a lua atrás dos Andes

quinta-feira, 6 de março de 2014

Rei Afogado

Esse silêncio é o sossego de ter sido,
Interrompendo, solitário, o Atafona do discurso,
Em avanço mudo, intermitente,
Afogando gota a gota nossa cidade de memória.
E essa intermitência é nossa história,
E, igualmente,  a ruptura é o percurso
Onde os pés dão um traçado idiossincrático
Para ordernar pontos isolados
Da superfície onde nos encontramos.
É nesse chão que estamos marcados
Tanto os passos quanto os joelhos
Quanto as lágrimas que entornamos.
É desse barro que fomos moldados
 Como um corpo coeso, indiscerníveis,
Por isso essa batalha para a fuga,
A angústia e o temor de ter partido.
Se te desprendes, arrastas contigo
Toda essa mágoa que carregas
Todo esse amor, que tu me negas

Todo esse sossego de ter sido