segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Da permanência


Se me perguntassem
Diria que é calor, que arde um pouco, no peito,
E que incinera os ossos, feito uma febre no dia errado,
No corpo errado.
Que no talvegue entre nossos corpos, deitados,
Corre um rio, que me percorre aos pés,
Cujo corpo oscila volumoso entre as tuas e as minhas mãos, as tuas e as minhas pernas.
Diria, do carinho, as poucas frases; e das canções, os tantos versos,
Que correriam poesia imensa, como a montanha que o amor ocupa.
No labirinto, que tua sombra avulta, diria me perder, mais tantas vezes,
Extasiado em desconhecimento,  a reviver, do tato, tuas paredes
Na minha memória;
Balé de cores sobre minhas retinas, eu treinaria te ornar bonita
Feito um caderno de caligrafia,
As minhas letras, brincos de pingente,
Pingindo livres, das tuas orelhas.
Diria que és espanto, e deliquesces;
Como vapor de água nas paredes,
Como uma lágrima se faz presente;
E que decanta e torna-se suspiro,
Feito um bom sonho disfarçado em brumas.
És minarete, de onde o homem canta,
E o canto espalha por deserto e campo,
E a voz alcança o mar e a estrada
Onde primeiro te reconheci;
A encruzilhada, onde ainda estamos,
Aquela terra, que nós dois pisamos,
Aquela estrada de onde não parti.