domingo, 18 de março de 2012

Poesia científica

O sonho me afasta da arte;
fez-me moderno quando eu me quis barroco.
O que há de errado com a velha dialética?

Meu sonho se escora no espaço,
minhas mãos se perdem no tempo;
me frustro.
Não há de caber estrofe nos fatos.

Poesia científica, conversa acadêmica,
fiada em dados,
o que há de errado com as rimas complexas?
Devo seguir à revelia da métrica,
pela planície dos tomos vazios,
pelo ruidoso debate de mentes,
pelos caminhos dos ângulos retos.

Meu sonho há de afogar a arte
com as próprias mãos, sujas de tinta e sangue,
e seu troféu é envenenar o rio
e que o rio siga envenenado.

Na queda d'água, desse rio, abaixo,
meu sonho reinará, a arte morta,
por todo inverno que essa vida dura

E no meu corpo, que meu sonho corta,
é no meu peito que esse rio brota,
e no meu peito que ele coagula.