domingo, 27 de novembro de 2011

Soneto mais dois versos

eu estava em transe
entre as tuas danças,
eu restava em tranças
sobre seus lençóis.
e deitava nu nas tuas cobertas,
tu estavas certa,
eu estava só,
tudo estava em pó,
diluído em água,
destruído a ferro,
decifrado à força
dos teus olhos-pregos,
dos teus cílios-dentes,
dos teus olhos-boca

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sem janelas

Essa casa precisa respirar,
Essas paredes estão muito quentes, e tudo que o sol faz é passear no corredor
E esquentar, e esquentar.
Vem com seu frio e me encontra,
E me arrebata
Quero os seus dedos arrancando minhas costelas,
Quero ser consumido.
Quero dormir sob os lençóis cheirando a armário e do seu lado.
Você não chega, mas eu pus peso na porta,
Que essa casa precisa respirar a sua brisa.
Há silhuetas refletindo nos degraus da escada, nenhuma é a sua.
Essa casa me engole e me digere;
Essa casa precisa de um janela bem ali,
Um buraco na parede,
Para quando você vier,
A gente ver
O tempo lá fora,
As crianças brincando,
O dia correndo,
O tempo espreitando por trás do carvalho...