sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Proa

Sou o homem no navio, olhos à proa,
Desvelo o céu e o mar no horizonte
Navego ao seu encontro frente a frente
Que o fim é um portal para o lado oposto
O lado diametral e adjacente
Onde cessa a agonia e o desespero


Velejo entre os restos de piratas
De barcos devastados pela peste
E os trajes dos marujos enforcados
Por cordas do suor de seu trabalho
E espadas de corsários ancorados
Nas rochas que suportam o oceano

Estou no vão do corte e a maresia
Que cura a carne e a chaga apodrecidas
Que salga a vista e açoita o peito e a fé
Eu sou um corpo solto nas correntes,
Entregue à decisão de um deus qualquer
Ou à tragédia doce da imanência

Eu sou o homem no cais, olhos no mundo,
E na chegada lenta das galés,
Que apoitam feito um sol que se desmaia
Eu sou o homem míope no navio,
E o cadáver frio no vazio
É apenas meu reflexo junto à praia