sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Byroniana

Teu passo urge
E tua marcha me dói
O futuro se dilui em uma miríade de luzes
Negras e vãs.
O que eu enxergo é o breu
E o que eu toco é o chão
O que me guia é a treva que acolhe a tua ausência
E estou a fugir da luz,
Nem deus sabe o porquê.
Teus olhos congelados são meu tormento
Enquanto a noite se estende, feito uma toalha de seda
Amarrotada em nuvens de tempestade
Minha alma se queima em raios crespos
E meu peito se desprende e resvala.
Sinto-me subumano,
Sinto-me aluzidio,
Como se implorasse pelo teu brilho, como uma última esmola
Como se salgasse todo o solo em que pisasse
Como salguei meu espírito.
Busco, mas não te encontro.
Foges, corres, flutuas!
Eu vagueio a deslizar de rastos
Tu és um astro a pairar no firmamento,
Eu sou um homem a tropeçar na terra,
Cujos braços vão jamais te alcançar!
Renuncio a vida a tentar tocar-te
E ao não tatear-te, padeço...
Pois tu só caminhas,
E me levas para longe de mim.